segunda-feira, 16 de abril de 2012

Todos iguais, ou seja, diferentes.



Recentemente o cartaz promocional da parada gay de Maringá causou certa balbúrdia devido a presença de um símbolo religioso no material. Em resposta a uma postagem no facebook eu escrevi esse texto que decidi publicar aqui no blog:


Dado que a religião católica - e a cristã em geral - tem na homossexualidade um pecado, o cartaz é deveras ofensivo, à medida em que contrapõe o símbolo religioso ao do movimento homossexual. Fala-se muito em diversidade, direitos iguais e coisas do tipo, mas quando algo assim acontece, de novo, e de novo, e de novo, e novamente, percebo que essa ideologia da "igualdade", não passa de uma piada, que as pessoas são diferentes, e que umas acabam odiando outras de um jeito ou de outro. A ideia mesma de "normalidade" pressupõe uma outra, de igualdade, que é no mínimo irônica em face da multiplicidade de cores, orientações sexuais, religiões. No que diz respeito à religião, eu me sentiria sim ofendido em ver um símbolo que considero sagrado contraposto na formação de uma bandeira de uma causa que não apoiasse. É uma dialética interessante, mas só poderia causar aversão mesmo, e quem produziu o material com certeza previu os resultados que, diga-se de passagem, são bons para o movimento homossexual, à medida em que, de novo, reforça a ideia de opressão. Mas o caso é uma harmonia de tensões, e quanto mais a ideia de igualdade quer se afirmar, mais percebemos que ela não passa de um sonho, uma utopia.


A verdade é que homossexuais e heterossexuais são sim diferentes, não são iguais. A diferença se encontra no fato de uns se voltarem ao mesmo sexo e outros ao diferente. Se isso é fruto da prática ou tem raiz genética, ou os dois, é uma questão que não dá pra responder, e como não dá de forma decidida e inequívoca, cada um forma sua opinião ou fica em cima do muro. Mas não são iguais. Assim como um branco não é igual um negro, um gordo não é igual um magro, um alto não é igual um baixo, um loiro não é igual um careca, um vegetariano não é igual um onívoro, um japonês não é igual um alemão, e um alemão alto e cabeludo, tatuado, não é igual um japonês baixo careca sem tatuagens no corpo. Essa aura de igualdade paira por sobre as diferenças gritantes, e o fato de cada um desses grupos se apresentar como minoria revoltada produz a confusão: os gays querem seus direitos, e assim se revoltam contra os cristãos opressores, esses, por sua vez, se veem oprimidos pelos islâmicos, e também pelos gays, na mesma medida, e os ateus pelos cristãos, e esses pelos ateus, os negros pelos brancos e esses pelos negros - porque preconceito não tem cor - e os anões pelos altos, os vegetarianos pelos churrasqueiros, tudo numa luta uns contra os outros que clama pela igualdade (...). Respeitar os gays sim, e respeitar quem considera a homossexualidade um pecado, conquanto essa pessoa não decida tomar uma arma qualquer e atentar contra a integridade física do gay,contra sua própria religião, diga-se de passagem. Mas a violência verbal é uma violência física? Se a resposta for sim, então é o caso de permitir uma censura de opinião: se é cristão, diga o que quiser, mas não pregue a homossexualidade como pecado: cale-se. Talvez seja o caso de permitir apenas manifestações de opiniões que se pautem pelo princípio da não-violência, mas mesmo assim a gente acaba caindo num outro problema: o que é ou não ofensivo? A opinião expressa do modo mais calmo pode tornar-se ofensiva em relação ao próximo, é uma questão muito subjetiva. Sendo assim, em última instância, se por homofobia pode ser compreendida a manifestação de opinião de caráter religioso, ou filosófico, seja por meio de texto sonoro e ou visual, que ofenda um cidadão homossexual, então a gente acaba caindo numa censura de opinião à favor de um "mundo melhor". Eu sou contra a censura de opinião, e acho mesmo que mesmo a heterossexualidade pode ser criticada à vontade. A Igreja católica, o cristianismo, o judaísmo, qualquer outro ismo pode. Opinião é opinião. E assim, diferentes, a gente acaba ofendendo mesmo, mesmo sem querer, como o bispo se ofendeu, como o gay se ofende, como eu me ofendo. Se bem que eu não me ofendo assim tão fácil, mas se fosse um bispo, acho que responderia do mesmo jeito. Podem me xingar à vontade tá? Mas sem pegar em armas brancas ou de fogo, por favor.


Decidi não expor o cartaz para não colocar ainda mais lenha nessa fogueira de vaidades.

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